Publicado em

Pirâmide maia de Chichén Itzá: 5 curiosidades e por que conhecê-la

O que é a pirâmide maia de Chichén Itzá?

O sítio arqueológico Chichén Itzá. No centro, a sua pirâmide em homenagem ao deus Kukulcán.

A pirâmide de Chichén Itzá ou Kukulcán está localizada na Península de Yucatán, México — mais precisamente no sítio arqueológico Chichén Itzá. Hoje é considerada uma das “Novas 7 Maravilhas do Mundo Moderno” e Patrimônio Mundial da UNESCO.

Se quisermos entender melhor a importância desse templo, é importante fazermos uma espécie de “volta no tempo” para que possamos situá-lo no contexto político, religioso e cultural da época.

De acordo com historiadores, a cidade de Chichén Itzá foi erguida pelos Maias por volta do séc. 7 d.C., e durante quase três décadas foi a “joia do norte” da Penínula de Yucatán, principalmente pela sua privilegiada condição de entreposto comercial e arrecadadora de impostos dos povoados vizinhos.

A cada equinócio cerca de 25 mil turistas aguardam o fenômeno da “Descida da Serpente Emplumada” nas escadarias da pirâmide.

Sua posição estratégica (como um grande centro urbano ligado a várias cidades menores por uma rede de estradas) tornou-a um dos maiores aglomerados urbanos da “Mesoamérica”, principalmente do ponto de vista econômico e religioso.

No entanto, por volta do ano 1000 d.C., a cidade foi invadida pelos chamados “povos estrangeiros” (supostamente os toltecas da cidade de Tula, no México Central) que, sem muitas dificuldades, apoderaram-se da cidade — após ter destituído o seu governante —, para estabelecer a hegemonia tolteca por um longo período.

Seguidas invasões estrangeiras fizeram o sítio ser completamente abandonado por volta de 1200 d.C. No entanto, os vestígios da civilização maia ainda são bastante presentes.

Surpreendentemente, mesmo após a invasão estrangeira— responsável pela ruína e o abandono de toda a região —, Chichén Itzá conseguiu sobreviver (precariamente) à dominação mexicana. Apesar de submissa ao poderio do invasor, manteve os maias como o principal contingente populacional, e os vestígios da sua cultura bastante visíveis até os dias atuais.

Somente em 1200 d.C., Chinchén Itzá teria sido completamente abandonada, mas deixou as suas marcas (principalmente religiosas) impressas em todo o território mexicano. E uma delas é a pirâmide Chichén Itzá; um templo erguido em homenagem ao deus Kukulcán (“A Serpente Emplumada”) ou o Deus-Trovão, muito associado ao ciclo da agricultura e da colheita para os povos maias.

Mesoamérica: berço da civilização Maia.

5 Curiosidades sobre a pirâmide de Chichén Itzá

1. Descoberta

A pirâmide de Chichén Itzá ou Templo de Kukulcán foi descoberta por arqueólogos norte-americanos e europeus na metade do séc. XIX — 700 anos após a sua construção —, e logo chamou a atenção dos exploradores, não só pela imponência dos seus mais de 30 metros de altura e 365 degraus, mas também pelo conhecimento astronômico envolvido em seu projeto.

De acordo com os arqueólogos, o templo foi erguido como uma espécie de calendário maia, em que cada um dos seus 365 degraus corresponderia aos 365 dias do Haab, uma espécie de calendário que guiava a prática agrícola dos povos daquela região.

A pirâmide também possui 4 escadarias com 91 degraus cada em seu entorno, cuja função é levar a um templo onde eram realizados os cultos ao deus Kukulcán. Ela faz parte do sítio arqueológico de mesmo nome, que conseguiu a façanha de simplesmente ganhar a preferência entre as pirâmides de Gizé (Egito) e Teotihuacán (México), e se tornar uma das 7 Maravilhas do Mundo.

2. A descida da serpente

Essa é a principal curiosidade a respeito da pirâmide de Chichén Itzá. O fenômeno ocorre nos equinócios de 21 de março e 21 de setembro (de cada ano), quando mais de 20 mil turistas acampam em toda a área que circunda o sítio, para assistir a um dos fenômenos mais curiosos já registrados, e que aguça a imaginação de quem já presenciou o efeito.

Por volta das 4:30 da tarde a incidência do sol sobre a pirâmide provoca um fenômeno, no mínimo, curioso. A lateral das suas escadarias (formada por uma série de triângulos) ao ser refletida pelo sol, forma na parede ao lado o desenho de uma suposta serpente, que seria o próprio Kukulcán ou “A Serpente Emplumanda”, que desceria para dar a honra de manifestar-se diante do seu povo.

Para muitos, trata-se apenas e tão somente de um fenômeno produzido propositalmente para determinar a mudança de estação do ano. Alguns arqueólogos entendem que o fenômeno teria motivos meramente estéticos; outros creem que seja um efeito puramente acidental.

A cada equinócio milhares de turistas de todo o mundo se espremem para contemplar o que seria a descida do deus Kukulcán em forma de uma serpente.

3. A descoberta de uma pirâmide interna

Recentemente um achado agitou o mundo da arqueologia. Foi descoberta uma outra pirâmide dentro da Kukulcán, quase 80 anos depois de uma outra ter sido descoberta, totalizando duas estruturas em forma de pirâmide dentro da principal.

“É como se fosse uma daquelas bonecas russas, as Matrioscas, que ficam uma dentro da outra”. Comparou o especialista do Instituto de Geofísica e do Departamento de Geomagnetismo da Universidade Nacional Autônoma do México (UNAM), René Chavéz Seguro, um dos responsáveis pela descoberta.

Dessa forma, descobriu-se que a Pirâmide Chichén Itzá, ou, como também é conhecida, “El Castillo”, possui uma estrutura com uma primeira pirâmide com 10m de altura — provavelmente a primeira a ser construída, entre os séculos 9 e 6 d.C. Por cima, outra estrutura com cerca de 20 m de altura, e que tudo indica teria sido erguida por volta do séc. 10 d.C. E, por fim, a que fica visível aos visitantes, com cerca de 30 m de altura, erguida já nos estertores da civilização maia — por volta do séc. 13 d.C.

O que os arqueólogos dizem é que era comum essa superposição de estruturas em construções tão antigas, seja pela chegada de um novo conquistador ou como um ritual religioso, ou mesmo quando as estruturas do monumento ameaçavam ruir. E uma dessas três hipóteses encaixa-se perfeitamente nesse caso, já que a sua construção coincide com o domínio dos toltecas sobre os maias.

Pesquisas recentes descobriram mais uma estrutura dentro da pirâmide Chichén Itzá.

4. Um invejável conhecimento astronômico

O conhecimento das estações do ano e do movimento dos astros conferia aos sacerdotes maias um imenso poder diante do povo.

Eles eram capazes de determinar como e quando iniciar a semeadura e, obviamente, a colheita. Podiam dizer quando viria a chuva, as épocas de seca, entre outros conhecimentos que os tornavam verdadeiros semideuses para uma população tão religiosa e simpática às mais diversas superstições.

Esse conhecimento resultou na invenção do calendário agrícola, que possui 18 meses e 20 dias, além de um mês com 5 dias festivos — que, dessa forma, abrangem os 365 dias do ano dentro do calendário Haab.

Juntamente com o Tzolkim (o calendário religioso, com 260 dias distribuídos por 13 meses, com 20 dias cada mês) formam o que é conhecido como o “calendário maia”.

5. Um instrumento de poder político

Outra curiosidade sobre a pirâmide de Chichén Itzá é que ela funcionava perfeitamente como um instrumento de poder nas mãos dos sacerdotes maias — não só religioso como político, já que a influência dos sacerdotes ultrapassava, e muito, a de simples intermediários entre eles e o deus Kukulcán, para servirem como avalistas da autoridade dos governantes sobre o povo.

A estratégia podia ser observada, claramente, durante o ritual da descida da Serpente Emplumada ou “Kukulcán”, quando uma multidão espremia-se diante do templo para observar o fenômeno que, de acordo com os sacerdotes, seria o próprio deus que descia para comunicar, através deles, os seus desígnios.

Não fica difícil, portanto, imaginar o poder de influência que teriam aqueles sacerdotes, por serem os únicos capazes de comunicar-se com o deus e receber dele, em pessoa, as ordens e determinações que deveriam ser seguidas por todos.

A Chichén Itzá era um importante instrumento político nas mãos dos sacerdotes maias, que autoproclamavam-se os intermediários entre o povo e o deus Kukulcán

Por que conhecer a pirâmide de Chichén Itzá?

Se não bastasse a dádiva de poder contemplar os vestígios da existência de uma das mais singulares e misteriosas civilizações de todos os tempos, existem diversos outros motivos que fazem da visita a esse templo uma experiência tão especial:

1. Uma das Novas 7 Maravilhas do Mundo Moderno

Como foi dito, Chichén Itzá está atrás apenas do templo de Teotihuacán (também no México), na preferência dos turistas pelos sítios arqueológicos do país. Além disso, atualmente é considerada uma das Novas 7 Maravilhas do Mundo Moderno, desbancando monumentos como a Acrópole de Atenas (Grécia), as Pirâmides de Gizé (Egito), a Stonehenge (Reino Unido), entre outras maravilhas da natureza ou da engenharia.

Diariamente um verdadeiro exército parte, principalmente da cidade de Cancun, em uma aventura de quase 200 km, em busca do clima de mistério e religiosidade que cerca o local.

São caravanas de budistas, espíritas, hare krishnas, esotéricos, ou simplesmente pessoas comuns, interessadas em conhecer um pouco mais dessa civilização milenar que, para muitos, mantinha estreito contato com seres de outros planetas, por meio dos seus inúmeros “portais interdimensionais” que dariam acesso a mundos inacessíveis às pessoas comuns.

O pôr do sol em Chichén Itzá: um dos maiores espetáculos da natureza.

2. Um local sagrado

De acordo com historiadores, a Pirâmide de Chichén Itzá ou Templo de Kukulcán foi construída sobre um antigo cenote sagrado. Essa localização, por si só, já seria suficiente para fazer do templo um foco de curiosidade para indivíduos de todas as partes do mundo.

Um cenote sagrado é um poço com profundidade considerável, onde as vítimas supostamente eram jogadas (ainda vivas), como uma forma de sacrifício aos deuses cultuados naquele período pelos maias e demais povos da Mesoamérica.

Para acentuar ainda mais o seu caráter de mistério, acredita-se que a formação desses poços (mais de 7000 em todo o México) seria o resultado do choque de meteoros contra a superfície da Península de Yucatán, que, além de produzir os cenotes (cujas águas teriam poderes curativos) transformaram a região em um lugar místico e preferido por seres de outras dimensões, interessados em desenvolver uma nova consciência cósmica entre os humanos.

De acordo com a crença, a Chichén Itzá teria sido construída sobre um antigo cenote sagrado produzido após o impacto de um gigantesco meteoro contra a superfície terrestre.

3. Construções arrojadas

Além dos seus próprios predicados, um dos atrativos do templo é o fato de ele estar localizado em um dos maiores sítios arqueológicos do planeta, repleto das mais curiosas e singulares construções, como o “El Caracol” ou Templo de Vênus — uma espécie de observatório, de onde os antigos maias ocupavam-se em observar o cosmos, principalmente o planeta Vênus, que, para eles, tinha uma importância especial.

O El Caracol tem esse nome devido às suas escadarias em forma de caracol e suas abóbadas sobrepostas, uma arquitetura considerada imponente e majestosa para os padrões da época.

Já a “Colunata Oeste” foi erguida com uma tecnologia que realmente faz pensar em uma possível parceria com seres extraterrestres, devido à forma como são dispostas em sequência as suas mais de 200 colunas.

Por fim, a “Quadra do grande Jogo de Pelota”, um imenso campo com quase 170 m (datado de pelo menos 1300 a.C.), onde disputava-se um jogo que reservava aos derrotados a morte, como uma forma de sacrifício que lhes daria a imortalidade.

4. O Templo do Jaguar

Essa é outra construção que pode ser admirada no entorno da Pirâmide Chichén Itzá. Trata-se de uma espécie de pirâmide funerária erguida no século 8 d. C., especialmente para abrigar o corpo do governante Hasaw Cha’an Kawil ou Ah Cacao (680-721 d.C.) – como era popularmente conhecido.

Após o seu sepultamento, o templo passou a ser utilizado para cerimônias religiosas, mas a grande curiosidade que o permeia é o fato de que, até hoje, se acredita que ele seja uma espécie de portal para outras dimensões ou submundos, que poderiam ser acessados por meio de determinados rituais permitidos apenas a iniciados.

Com quase 50 m de altura, o templo está decorado em todo seu relevo, com destaque para as 117 imagens que representam vários atributos físicos e espirituais. Ele compõe com a Chichén Itzá, um dos mais curiosos sítios arqueológicos que existem.

O Templo do Jaguar, de acordo com os esotéricos, seria, além de um templo funerário, um portal para outras dimensões.

A pirâmide Chichén Itzá representa mistério e religiosidade em um cultuado espaço sagrado. Você já a conhecia? Deixem um comentário sobre o assunto. E continue nos acompanhando nas redes sociais.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *